Saturday, August 25, 2007

Regresso a Lisboa I

Depois de um dia calmo telefono a toda a gente das danças e ninguém está cá por Lisboa, ou não vai sair. Decido ir à aventura. Ponho o Di korpu ku alma da Lura, e cá vou eu. Procuro o Nell's no Campo Grande, e na segunda vez que passo por baixo da 2ª Circular o que parece ser um acidente. Carros em desalinho, um da polícia parado, outro a ultrapassar-me, e em poucos segundos a estrada está selada, e o trânsito desviado. Um corpo inerte no chão, vestido de branco, vulnerável. De repente mexe-se e põe-se de lado, no asfalto, como se procurasse proteger-se. No desvio para a direita está a metade de trás de um Volkswagen Golf, partido como um pão. Não consigo descobrir a outra parte. No chão as cores tristes dos objectos que saltaram dos carros. A polícia tenta afastar a pequena multidão que se formou e exapera-se com o lento cortejo que não quer passar.
Cinco minutos antes tinha passado ali naquele mesmo sítio. A nossa fragilidade é tão flagrante que penetrar-lhe no segredo e pedir-lhe presença assídua seria insuportável. Basta vivermos com ela. Recordo Omar Khayam e o seu desprezo pelo dia de ontem e pelo dia de amanhã.

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