Hoje começo por abrir uma garrafa de Quinta dos Roques 2003. Quem viu o Dão há uns dez anos e quem o vê. O Douro conserva o seu reinado mas terá pelas Beiras um adversário sofisticado dentro de alguns anos.
O vinho revela-se extremamente equilibrado com o carvalho a emoldurar o conjunto de frutos silvestres muito maduros e um ligeiro toque picante da casta Jaen no final que considero bem agradável. Agrada-me a coragem de incluir esta casta indomável num vinho.
A baguete Sourdough estava morna. Compro Mozzarella de vaca, à partida conformado com a sua falta de carácter, mas vingo-me com uns tomates cherry e um basilico que escurece em sucos quando o corto e se revela de uma doçura final de anis deliciosa.
O azeite é um DO Baena que isto de poupar na qualidade do azeite para consumir frio tem custos elevadíssimos.
Atiro umas kalamatas para o meio e lá vou aquecendo pão e preparando o jantar.
A receita é do "Na Roça com Tachos", e é uma receita de S. Tomé, camarão com banana pão.
Refogado de cebola, gengibre e meio chile vermelho, acrescenta-se o tomate e já está.
Eu, fraco e pobre, não resisti a acrescentar uns pedacinhos de mandioca fresca o meu sabor africano de eleição.
O camarão são cinco minutos, a mandioca outros cinco e a banana menos.
A ligação entre a banana e o camarão, com o pano de fundo do gengibre, é daqueles casamentos abençoados, como o tomate e a mozarella, com o basílico a perfumar.
Que saudades de moamba e cachupa, sabores simples e intensos dessa Lisboa atlântica, mas como deve ser, até lá baixo ao Cabo da Boa Esperança.
Para aqueles que se riam das minhas saudades de dançar e de ouvir música africana tenho duas palavras:
Dobet Gnahore.
Vem da Costa do Marfim a Seattle, de propósito para matar as minhas saudades de calor africano, canta bem e dizem que tem uma energia ao vivo espectacular.
Agradecimentos ao Jazz Alley que já acolheu a Lura nesta cidade cosmopolita.
Mas hoje a música ao jantar foi outra. O Concerto Italiano de J.S.Bach e outras pérolas pela Sra Dna Angela Hewitt.
A alma fica a sentir que se esta música cessar ela morre, como se ela fosse o próprio fio condutor da vida e da emoção.
Se algum dia me virem num caixote de madeira procurem no ipod algum Bach para tecla ou alguma apoteose de Rameau ou Lully.
Sei que os meus amigos cantarão em coro o 'Catalogo' do D.Giovanni e rirão a bandeiras despregadas das minhas espiritualidades vínicas e gastronómicas.
'Madamina, il catalogo è questo', bem hajas Giuseppe Taddei, grande Leporello.
Sunday, September 30, 2007
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